VERIDOSE
Verificação independente de dose em infusão: mede o que a bomba entrega, não o que ela acha que entregou.
- 2025
- embarcado clínico
- piloto hospitalar
- C · Firmware · Analog design · Optical sensing
o problema
Bombas de infusão são o equipamento mais comum de terapia intensiva — e o relato de dose vem de dentro da própria bomba. Um tubo dobrado, uma oclusão parcial ou um calibração desgastada e a bomba segue registrando volume que não passou. A verificação independente existe em laboratório; na beira do leito, é um desenho de volume graduado e paciência.
Falei com equipe de farmácia clínica de um hospital parceiro: o que eles queriam não era mais um painel — era um apito. Algo que grite quando a diferença entre o esperado e o medido passar de 5%, sem depender de rede, sem tela, sem login.
a abordagem
O VERIDOSE é um módulo pequeno que fica no trajeto do Set: câmara de medição por sensores ópticos de fluxo, firmware em C puro (~3.300 linhas, sem RTOS) e um buzzer que só existe para uma coisa. Toda a lógica de segurança é analógica em última instância — o comparador de emergência funciona mesmo se o firmware travar.
Escolhi calibração por par de fotointerruptores em vez de célula de carga: custo menor por leito e nada de strain gauge para recalibrar a cada troca de Set. O firmware roda um modelo de bolhas (falso positivo clássico) e a lógica de alarme tem histerese dupla — alerta precoce silencioso e alarme sonoro só após confirmação de 10 segundos.
O erro que mais me custou: interpretei o datasheet do sensor como “leitura a cada 1 ms” quando era média móvel de 4 ms. Nos testes de bancada com vazão baixa, a subnotificação ficava dentro do ruído. Só apareceu na validação com fluido real — que é exatamente o tipo de erro que bancada com água destilada esconde. Desde então, toda validação é com o fluido clínico do protocolo.
estado hoje
Em piloto hospitalar com 8 unidades, validado contra gravimetria de referência. Erro médio de 1,8% na faixa clínica de vazão. O próximo passo é o relatório de conformidade para o processo regulatório — a parte burocrática é longa, e ela é o prazo real.